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sexta-feira, janeiro 27, 2006



WOLF CREEK

Não, ainda não são novidades da Cinecittà... Como o passatempo "Wolf Creek" se aproxima do fim - à meia-noite de domingo, dia 29 - e pode haver quem esteja a pensar se o filme justificará ou não pensar em alguma coisa para escrever, achei que talvez fosse boa ideia publicar aqui (com uma ou outra adaptação) o texto que escrevi para o site do CTLX - Cineclube de Terror de Lisboa (www.ctlx.com). Pode ser que convença mais gente a participar...


“Wolf Creek”, de Greg McLean

Se, no que ao cinema fantástico diz respeito, o ano passado terminou em beleza – graças a “A Descida”, do britânico Neil Marshall –, o início de 2006 promete não lhe ficar atrás. Tudo por “culpa” do australiano “Wolf Creek”, a primeira longa metragem de Greg McLean, aplaudida no Festival de Sundance, e nova prova de que nem só da mediocridade institucionalizada na indústria americana vive, hoje em dia, o género de terror.

De facto, estamos perante um objecto nos antípodas do que tem sido a norma na produção recente saída dos grandes estúdios. Como já foi notado, não há por aqui adolescentes boçais, estranhos rancores que se propagam para além da tumba em forma de maldição ou vídeos com poderes sobrenaturais, nem sequer um sucesso “made in” Ásia no qual basear o argumento... O que há é horror puro e duro, sem concessões e adulto, servido por alguém que compreende e domina os códigos e convenções do terror cinematográfico, o que não deixa de ser surpreendente num filme vindo de um país sem reconhecida tradição no género.

A história, inspirada em factos reais, é simples: três jovens decidem partir em viagem de descoberta pelo interior da Austrália. No regresso da visita ao parque de Wolf Creek, onde em tempos a queda de um meteoro provocou uma enorme cratera, descobrem o carro avariado, no que é apenas o início de uma longa noite...

Sem adiantar mais, por aqui se vê que nada disto é propriamente novidade, mas a força de “Wolf Creek” (elogiado, com inteira justiça, como “filme-sensação” no circuito internacional) está menos no que mostra do que no modo como o faz. Por outras palavras: não terá inventado a roda, mas que a sabe fazer mexer, sabe... As alusões, visuais e temáticas – dos “estranhos em terra estranha” à dicotomia entre o urbano e o rural, passando pela fatal destruição da inocência –, a clássicos como “Um Lobisomem Americano em Londres”, “Duel” ou o obrigatório “Massacre no Texas” não significam desfaçatez de um copista em operação de pilhagem, antes meios a utilizar para um fim que deve ser o de qualquer filme de terror que se preze: a obtenção de uma atmosfera de pesadelo interminável, que oscila entre a assustadora vastidão do “outback” australiano e a tensão claustrofóbica de um espaço partilhado apenas por vítima e assassino.

E já que falamos em referências, destaque para uma tão inesperada quanto ajustada, ao inenarrável “Crocodilo Dundee”, numa espécie de variação a negro do estereótipo do australiano rude e bonacheirão, na figura de Nick (John Jarratt), que acorre em suposto auxílio do trio de viajantes (é um dos psicopatas mais arrepiantes dos últimos tempos, facto já reconhecido pelo fã Quentin Tarantino, que escolheu Jarratt para o seu próximo “Grind House”). No fundo, apenas mais um sinal da inteligência de McLean, igualmente visível na forma como o realizador e argumentista escolhe deixar passar quase metade do filme sem “nada” acontecer, apenas três pessoas a conhecerem-se e a darem a conhecer-se ao espectador.

É uma estrutura em dois actos – parte “road movie”, parte filme de terror – brutalmente eficaz: quando a sangria se inicia, não estamos perante meros “bonecos” a chacinar, mas sim personagens de carne e osso, possibilitando que aquilo que poderia ser um simples exercício de violência gratuita assuma as dimensões da tragédia.

Este mergulho abrupto na escuridão lança “Wolf Creek” (e nós com ele) numa espiral alucinante de terror “primitivo” e revela McLean como grande manipulador: a alteração no tom é radical, as mudanças de ponto de vista e perspectiva desconcertantes, as expectativas sobre o destino de cada personagem constantemente subvertidas e vemos, uma e outra vez, o tapete ser-nos arrancado debaixo dos pés. A sensação de impotência é total, a violência, longe do efeito de choque fácil, assumida como na realidade é – suja, desconfortável, de consequências devastadoras –, representação que confronta impiedosamente o espectador com a sua condição de “voyeur”, ao mesmo tempo que joga com a natural empatia sentida em relação a alguém em sofrimento, num movimento de perversa e perturbante ambiguidade. Um grande filme.

Vasco Menezes

4 Comments:

At 3:02 da tarde, Blogger André Batista said...

Já participei no passatempo :D

 
At 6:50 da manhã, Blogger Fire With Fire said...

Estou a ver que já estão a começar a mexer na web. Eu pertenço à dupla que costuma ir à loja comprar umas coisinhas. A última vez que estivemos ai fomos levantar o poster do Sin City. Vou ficar de olho nas novidades.

Boa Sorte.

 
At 3:19 da manhã, Anonymous Anónimo said...

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At 8:46 da tarde, Anonymous Anónimo said...

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